- São Paulo é uma cidade que inspira e o LoverBoy andando pela Augusta conheceu Angélica - O link para ouvir a música do conto é http://www.youtube.com/watch?v=SMxeGGV_HFE
Angélica desceu a Augusta apressada, tinha o olho esquerdo roxo e carregava na mão um MP3 player que conseguiu roubar do seu último cliente. Este não era seu nome verdadeiro, a vida assim a havia batizado para que pudesse em todo amanhecer trocar de pele, deixando pra trás os resquícios da noite. Ela tropeçou em um buraco da calçada, por estar usando um salto bico fino deslocou o pé e quase foi ao chão, deixando o MP3 cair na calçada perto de um flyer, que a convenceu a conferir os arredores da festa, na esperança de conseguir outro programa.
Ela tinha sonhos, como qualquer pessoa, mas os seus não envolviam fama e sucesso. O desejo que alimentava desde criança era conhecer seu príncipe encantado, ter uma casinha simples e filhos que fossem a cara do pai. Infelizmente nada aconteceu como planejado e ela já não precisava de um príncipe e sim de alguém que a salvasse daquele inferno. Com mil coisas na cabeça ela desce a Augusta.
No caminho ela aperta o play no MP3, olha o display, mas não reconhece a música, pois não fala inglês. A música ironicamente era “Save Me Now” do Andru Donalds e quando ela coloca os fones no ouvido logo se lembra de sua juventude ao escutar os primeiros acordes, que embalaram seu primeiro beijo aos 14 anos. Na esquina, ela, distraída em suas memórias, esbarra em um bêbado que aos gritos pedia a Deus que lhe mandasse salvação. Ela tentou ignorá-lo, mas o pedido dele parecia vir dela, que sentia como se tivesse usado o corpo daquele homem sujo como alto-falante. O homem a encara e diz que hoje é o dia de sorte dela. A profecia não fazia sentido algum e ela seguiu seu caminho.
Quando a música chegou ao refrão ela se lembrou dos olhos castanhos de seu primeiro amor, lembrou dos lábios e do hálito quente dele. Aquelas lembranças a fizeram sentir algo que há algum tempo havia morrido, mas esse êxtase não durou muito, a vida era muito dura e não permitia devaneios, por mais que ela tentasse. De repente ela escuta um grito pedindo que alguém tivesse cuidado e tudo aconteceu muito rápido. Um carro em alta velocidade a jogou longe, do outro lado da calçada. O carro vai embora e algumas pessoas começam a tentar prestar socorro e gritar. Um travesti que estava perto e presenciou tudo chega perto do corpo com um lençol e a cobre. A música terminou e Angélica havia sido salva.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
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Fico honrada em ser a primeira pessoa a postar um comentário sobre o seu conto moderno. É redundante dizer que vc escreve divinamente, não pelo conto, mas por cada pequena e casual composição. Saudades aos montes!!
ResponderExcluirInspirado você... :-)
ResponderExcluirCada dia que passo me pergunto: "como será q vou te encontrar quando chegar ai?" Dia após dia, frase após frase, sua segurança em escrever me supreende. Me lembra muito Mozart, em seus momentos de "liberdade"... Saudades. Wait me. xoxo
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